Hora Livre

Virgínia, a mulher que reaprende a dormir… e a sonhar!

Neste mês dedicado às mulheres, conheça a trajetória da servidora pública que vence batalhas invisíveis com resistência, reinvenção, arte e coragem.

Durante anos, Virgínia de Jesus da Silva aprendeu a existir quando o mundo dormia. No silêncio das madrugadas, enquanto casas se apagavam e ruas se esvaziavam, ela permanecia desperta  não por escolha, mas por uma condição que só muito mais tarde ganharia nome, explicação e, finalmente, cuidado.

Servidora da Secretaria da Saúde do Espírito Santo (Sesa) há três décadas, Virgínia é exemplo para este Dia Internacional da Mulher, e para todos os outros dias, pois construiu sua trajetória com a discrição de quem cumpre deveres sem alarde. Natural de Conceição da Barra, cresceu sob os cuidados exclusivas de uma mãe que criou oito filhos com firmeza e ternura. Desde menina, porém, carregava um desencontro invisível com o tempo. Dormia quando o corpo permitia, acordava quando conseguia. E seguia.

Vieram os anos, o concurso público, o trabalho, as responsabilidades. Vieram também os julgamentos apressados, os rótulos fáceis, as explicações erradas. O que ninguém via era o esforço silencioso de quem lutava contra o próprio relógio biológico.

Mas foi a perda que mudou tudo. Em um intervalo de poucos dias, Virgínia se despediu de uma irmã e da mãe. Restou o vazio – e a ausência completa do sono. As noites tornaram-se longas travessias sem descanso. O corpo adoeceu, a mente se cansou, e viver passou a ser um exercício de resistência.

Até que, após décadas de incompreensão, veio o diagnóstico: seu organismo seguia um ciclo invertido, uma condição real, reconhecida pela medicina do sono. Pela primeira vez, sua história fazia sentido.

O tratamento trouxe ciência, tecnologia e esperança. Com o uso da luminoterapia, por meio de um dispositivo chamado Luminette, e o acompanhamento especializado, Virgínia começou a reconstruir aquilo que parecia perdido. Dormir deixou de ser um milagre distante e voltou a ser possibilidade.

Mas Virgínia também aprendeu a despertar de outras formas. Entre relatórios e rotinas administrativas na Superintendência Regional Norte de Saúde, em São Mateus, onde exerce a função de gestora de remessas de contratações, Virgínia encontrou na literatura um território de afeto e permanência. Criou histórias, deu vida a personagens e transformou memórias em arte, em livros infantis à espera de editora. Escrever, sobretudo sobre o mundo mágico de seus pets, tornou-se uma forma de reorganizar o mundo – e a si mesma.

Hoje, sua trajetória é feita da mesma matéria que sustenta tantas mulheres: coragem cotidiana, resiliência silenciosa e a capacidade de recomeçar, mesmo após as noites mais longas.

Virgínia reaprende a dormir. E, ao fazê-lo, reaprende também a sonhar.

 

Com informações de Gilmar Henriques

Assessoria de Comunicação – Superintendência Regional Norte de Saúde

Gilmar Henriques

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