A Polícia Civil concluiu o inquérito que investigava crimes de tortura e agressões físicas contra duas crianças em São Gabriel da Palha. O caso envolveu um menino de menos de dois anos, uma menina de seis anos e uma terceira vítima, e teve como principais suspeitos o padrasto — que é pai biológico de uma das crianças — e a mãe delas.
De acordo com o delegado Jefferson Nascimento, titular da Delegacia de São Gabriel da Palha, as investigações começaram no dia 24 de junho, após o Conselho Tutelar comunicar formalmente que uma das crianças apresentava lesões visíveis. O padrasto foi preso temporariamente em 27 de junho, e teve a prisão convertida em preventiva no último dia 25 de agosto. Já a mãe das vítimas responde em liberdade, com medidas cautelares impostas pela Justiça.
“Em depoimento inicial, a genitora alegou que as queimaduras no filho mais novo teriam sido causadas por acidentes ou causas naturais, e que outras lesões seriam resultado de quedas. No entanto, os laudos periciais comprovaram que as marcas eram de agressões deliberadas”, afirmou o delegado.
Durante as apurações, a polícia identificou que a criança de seis anos também sofria maus-tratos, incluindo castigos como o corte forçado dos cabelos. A menina estava fora da escola há mais de dois meses. Testemunhas relataram ainda que os irmãos eram obrigados a realizar tarefas domésticas antes de poderem brincar e que, em algumas ocasiões, ficavam sozinhos na rua sem a supervisão de um adulto.
Apesar das negativas dos suspeitos ao longo do processo, o conjunto de provas — incluindo laudos, testemunhos e documentos do Conselho Tutelar — sustentou a conclusão do inquérito, que aponta a autoria das agressões por parte do casal.
O caso agora segue para o Ministério Público, que deve analisar a denúncia e decidir sobre a responsabilização judicial dos envolvidos


