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Estudo inédito revela que 42% das vítimas fatais do trânsito no ES haviam consumido álcool ou drogas

A Polícia Científica do Espírito Santo (PCIES) divulgou, nesta terça-feira (27), os dados do Painel Pericial de Sinistros de Trânsito, estudo inédito no Brasil que aponta que 42% das vítimas fatais de acidentes de trânsito analisadas no Estado haviam consumido álcool e/ou drogas antes dos sinistros.

O levantamento foi apresentado durante entrevista coletiva realizada na sede do Instituto de Laboratórios e Análises Forenses (ILAF), em Vitória. A pesquisa reuniu informações de laudos emitidos pelo Laboratório de Toxicologia Forense (LabTox) entre os anos de 2013 e 2023, a partir de vítimas que deram entrada no Instituto Médico Legal (IML) de Vitória.

De acordo com o perito-geral da PCIES, Carlos Alberto Dalcin, os dados servirão de base para o desenvolvimento de políticas públicas voltadas à segurança viária.

“Com a redução histórica dos homicídios em 2024, os acidentes de trânsito passaram a ocupar posição de destaque entre as causas violentas de mortes no Espírito Santo. Esses dados ajudam a compreender o cenário nas estradas e direcionar ações para a construção de um trânsito mais seguro”, destacou.

Trânsito foi a terceira maior causa de mortes

O estudo considerou ocorrências registradas entre 2013 e 2023 na Região Metropolitana de Vitória e nos municípios de Santa Maria de Jetibá, Santa Teresa, Santa Leopoldina e Ibiraçu.

Nesse período, os acidentes de trânsito representaram a terceira principal causa de mortes violentas, totalizando 3.559 vítimas. Deste total, 2.622 casos foram encaminhados ao LabTox para realização de exames toxicológicos.

A análise apontou que 1.106 vítimas, o equivalente a 42,2% dos casos examinados, apresentaram resultado positivo para substâncias psicoativas. O álcool foi a substância mais frequentemente identificada, presente em 32,3% dos casos positivos. Em seguida aparecem a cocaína (11,1%), os canabinoides, derivados da maconha (8,4%), e as anfetaminas (0,6%).

A chefe do Laboratório de Toxicologia Forense e autora do estudo, perita Mariana Dadalto, explicou que foram utilizadas ferramentas de Inteligência Artificial para cruzar os dados do IML com os resultados dos exames laboratoriais.

Segundo ela, o perfil predominante das vítimas é formado por homens pardos, principalmente na faixa etária entre 18 e 24 anos. Já entre pessoas de 25 a 44 anos, mais da metade dos casos apresentou resultado positivo para substâncias psicoativas.

“O percentual de 40% a 45% de vítimas fatais de acidentes de trânsito sob efeito de álcool ou drogas se mantém no Espírito Santo desde 2011. Isso demonstra que a população ainda não compreendeu plenamente os riscos do consumo dessas substâncias antes de dirigir”, alertou Mariana Dadalto.

Caso inédito identificou metanfetamina em motorista

Durante a coletiva, a Polícia Científica também apresentou um caso inédito registrado em 2024: a identificação de metanfetamina no organismo de um motorista de caminhão de 27 anos que morreu após uma colisão envolvendo dois veículos de carga na BR-101, na localidade de Jacupemba, em Aracruz.

A diretora do Instituto de Laboratórios e Análises Forenses, Caline Airão Destefani, afirmou que o resultado reforça uma preocupação já observada pelo Laboratório de Química Forense (LabQuim), que passou a identificar a substância em comprimidos apreendidos no Espírito Santo.

“Desde 2024, temos observado que os chamados ‘rebites’ utilizados por alguns motoristas estão contendo metanfetamina, uma substância que anteriormente não era encontrada nesses produtos”, explicou.

O perito Cesar Rezende, do LabQuim, destacou que esses comprimidos são produzidos em laboratórios clandestinos, sem qualquer controle sanitário ou autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Dados do laboratório apontam que a metanfetamina já circulava no Estado como droga recreativa, com 24 apreensões registradas e mais de 594 unidades recolhidas em diferentes formas de apresentação. A partir de 2024, comprimidos comercializados sob o nome “Nobesio” também passaram a apresentar a substância em sua composição.

Segundo o especialista, os efeitos da metanfetamina podem comprometer significativamente a capacidade de condução de veículos.

“A substância atua diretamente no sistema nervoso central, podendo provocar aceleração excessiva do veículo, dificuldade de frenagem, visão turva e redução dos reflexos, aumentando consideravelmente o risco de acidentes. Além disso, apresenta alto potencial de dependência”, alertou Cesar Rezende.

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