O Polícia Científica do Estado do Espírito Santo é a única polícia do país a realizar análise toxicológica em cabelo para fins criminais. O exame é feito pelo Laboratório de Toxicologia Forense (LABTOX) desde 2015 e tem se consolidado como método seguro e eficaz na detecção de drogas, medicamentos e outros agentes tóxicos.
A técnica é aplicada principalmente em casos de crimes facilitados por substâncias, como abuso sexual e situações conhecidas como “Boa Noite Cinderela”, além de investigações de intoxicações crônicas por envenenamento.
De acordo com a perita oficial criminal Mariana Dadalto, chefe do laboratório, o diferencial do exame está na capacidade de identificar o uso ou exposição a substâncias semanas ou até meses após o contato. Isso ocorre porque o cabelo incorpora os compostos químicos à medida que cresce, permitindo inclusive a análise segmentada por período.
Desde 2012, a perícia capixaba mantém convênio com a Universidade Federal do Espírito Santo, possibilitando o uso de espectrômetro de massas com plasma indutivamente acoplado, equipamento de alta precisão empregado, por exemplo, em casos de intoxicação por arsênico. Para as demais cerca de 60 substâncias analisadas, o LABTOX utiliza equipamentos próprios de cromatografia.
Segundo a perita, o número de exames tem aumentado nos últimos anos, reflexo da maior divulgação da técnica entre autoridades e da ampliação e especialização da equipe do laboratório.


