Até que ponto chega a crueldade do ser humano? Essa é a pergunta que inevitavelmente ecoa após mais um caso chocante revelado pela Polícia Civil do Espírito Santo. Depois das denúncias de bebidas contaminadas com metanol, adulteração de produtos diversos e tantos outros crimes contra o consumidor, a gente se depara agora com uma realidade ainda mais revoltante: o abate clandestino de cavalos.

Durante a Operação Estado Presente, a equipe comandada pelo delegado Leandro Sperandio flagrou dois homens transportando 390 quilos de carne de cavalo, que seriam comercializados como carne bovina. Os animais eram mortos de forma cruel, a facadas e machadadas, em meio a uma área de mata, sem qualquer condição sanitária. Um crime que mistura barbárie, ganância e total desprezo pela vida e pela saúde alheia.

O caso ultrapassa o limite da indignação. Revela até onde o ser humano é capaz de ir por lucro fácil, ignorando completamente os princípios básicos de ética, compaixão e responsabilidade social. É um golpe não apenas contra os animais — vítimas diretas dessa violência —, mas também contra toda a população, exposta ao risco de consumir um produto impróprio, contaminado e enganoso.

Mais do que uma operação policial, esse episódio deve servir como alerta à sociedade. É preciso redobrar o cuidado com o que colocamos na mesa. Comprar carne, bebida ou qualquer alimento em locais clandestinos é alimentar um ciclo criminoso que coloca vidas em risco.
As autoridades fazem sua parte, mas a população também precisa fazer a sua: não compactuar, denunciar, desconfiar de preços muito abaixo do normal e exigir procedência. Cada escolha do consumidor é uma forma de combate ou de conivência com esse tipo de crueldade.
Afinal, até que ponto vamos permitir que a ganância e a indiferença humana ultrapassem todos os limites?


